Virgínia Fonseca revelou, nesta terça-feira (03), que a filha primogênita, Maria Alice, parou de comer chocolate preto porque sofre com dores de cabeça. A influenciadora já divide com o público há alguns anos sua luta contra a enxaqueca crônica refratária.
“Mariazinha parou de comer chocolate preto porque estava dando dor de cabeça e foi muito fofinha porque eu só falei assim: ‘Maria, a mamãe também sente dor de cabeça quando come chocolate preto, por isso eu só como o branco’. E antes ela não comia o branco de jeito nenhum e começou a comer. Ela é muito determinada quando é para se cuidar", contou Virgínia aos seguidores.
Segundo o Dr. Tiago de Paula, neurologista especialista em Cefaleia, membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), a enxaqueca é uma doença genética que afeta, principalmente, as mulheres.
“Hormônios como o estrogênio influenciam na sensibilidade e prevalência dos sintomas. Por isso, é mais comum em mulheres. E crianças sofrem muito porque muitas vezes as dores são invalidadas, tratadas como ansiedade, medicadas de maneira errada, com remédios que muitas vezes mascaram a doença", alerta.
Apesar de não ser a única responsável por crises de enxaqueca, a alimentação pode, sim, ter impacto na piora do quadro. “Principalmente aqueles alimentos que deixam o cérebro mais acelerado, pois trata-se de uma doença relacionada à hiperexcitabilidade cerebral. Por isso, é recomendado evitar estimulantes, como café, chocolate e energéticos, e termogênicos, incluindo gengibre e pimenta vermelha, por exemplo”, detalha.
A Dra. Marcella Garcez, médica nutróloga, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia, explica que quando o assunto é comida, existem os alimentos gatilhos e os cronificadores.
O gatilho é o alimento que dispara uma crise isolada de enxaqueca, enquanto a cronificação acontece quando hábitos alimentares inadequados mantêm as crises frequentes ao longo do tempo.
“O vinho, por exemplo, é um gatilho. Além do álcool, ele tem taninos que podem causar a liberação de serotonina, um neurotransmissor que pode afetar a circulação sanguínea no cérebro, levando à dor de cabeça. No caso dos queijos, alguns podem ser gatilhos. Esses alimentos podem ser retirados em um primeiro momento, mas com o tratamento adequado, eles podem ser reintroduzidos, pois perdem a força com o passar do tempo”, destrincha a doutora.
Segundo o neurologista, o chocolate e a cafeína são exemplos de cronificadores. “A cafeína, se consumida em quantidade excessiva, pode causar sintomas indesejáveis, entre eles a cefaleia. Além disso, algumas pessoas são sensíveis à cafeína e mesmo com pequenas doses podem desencadear dores de cabeça.”
Evitar fast-foods, frituras e alimentos gordurosos é essencial para quem busca evitar crises de enxaqueca. Vale destacar novamente que a alimentação não é o único fator, mas manter um cardápio equilibrado pode amenizar alguns sintomas.
“É interessante principalmente a inclusão de castanha-do-pará, atum, canela, vegetais verde escuros e grão-de-bico, que podem ajudar a diminuir as crises de enxaqueca. Alimentos ricos em selênio e magnésio são importantes para diminuir o estresse”, sugere a Dra. Marcella.
O mais recomendado é procurar uma avaliação médica, que vai indicar o tratamento mais adequado para cada caso. “Criança tem que ficar sem crise, tem que ir para a escola, brincar. Muitas crianças sofrem muito com enxaqueca. Os pais, muitas vezes por desconhecimento, lidam com isso de forma equivocada, achando que a criança está ansiosa, querendo chamar atenção, que é preguiçosa e não quer ir para a escola”, avalia o doutor.
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